O dia que veio o melhor de mim

29 de dezembro de 2016.

O dia que mudou tudo.

O nascimento do meu filho.

Quando me descobri grávida, depois do susto e do choro, comecei a idealizar o momento do parto. Um parto normal, humano. O fictício “grande troféu do parto” sempre parece ficar com os partos vaginais sem anestesia, em que a mãe e seu parceiro participam ativamente. Mas nem todas as mulheres conseguem ter assim, e eu fui uma delas.

Quando descobri a gestação, minha taxa hormonal estava muito alterada e corri risco de aborto, por esse motivo fiz vários exames para descartar possível trombofilia e meu bebê foi tratado, durante toda a gestação, como feto precioso. Mesmo assim, queria arriscar o parto normal, mesmo a minha obstetra tentando me convencer do contrário. No último mês de gestação tive hipertensão gestacional e minha médica e marido me convenceram a optar pela cesária. Fiquei bastante arrasada, mas não queria arriscar a saúde do meu filho, então fiz optei pela cesária.

Os preparativos para uma cesárea não são fáceis. Meu marido só foi liberado para entrar depois de eu ter recebido a anestesia peridural e todo o mundo ter “assumido suas posições”. Ou seja, enquanto médicos e enfermeiras se movimentavam para todo lado, preparando a sala de cirurgia para o parto e conversando amenidades sobre a vida, eu estava sentada, coberta apenas por uma bata, numa mesa gelada de operação, pensando no que vem pela frente, com medo, ansiosa e me sentindo muito só. Nesse momento, tinha que fazer o medo, que chegava forte, ir embora. Pensei no meu filho, senti todo o amor por ele me encher. Precisei me convencer que, nesse momento, o que é melhor para meu filho é isso, mesmo que “isso” seja uma cirurgia de grande porte, que envolve cortes e cicatrizes. Mesmo que “o que é melhor” envolva abrir mão do sonho ou da visão de parto que alimentei por meses.

A maternidade deixa cicatrizes em todas nós. Algumas delas são emocionais, e outras são físicas. As mães por cesárea muitas vezes têm os dois tipos. Mas suas cicatrizes são sinais da força e da coragem que elas tiveram quando puseram seus filhos no mundo. A cicatriz de uma mãe por cesárea é a porta pela qual seu filho passou de um mundo para outro.

Não sou menos mãe e mulher por meu filho ter nascido de parto cesário. Cada parto deixa uma cicatriz, cada cicatriz é singular, e cada história de parto, também. O nascimento é um momento complexo, não importa  o como, todos são belos e merecem ser elogiados.

No dia da chegada do bebê,  tem dois grandes sentimentos: vida e luto. Luto pela mulher que você é hoje, você vai ficar mais forte, mais intuitiva, mais paciente. Parece que algo se expande na mente. Vida porque nasceu duas novas pessoas: seu filho e uma mãe, ou uma nova você. Com novos medos e anseios. Com força e coragem. Um novo amor.

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